Campeonato Amazonense Juvenil 2007
do Federação Amazonense de Xadrez por
 
Começa no próximo sábado (07/04 – 15h) o Campeonato Amazonense Juvenil 2007. O evento será realizado na Sala de Xadrez da Vila Olímpica de Manaus e tem como objetivo apontar o Campeão Amazonense Juvenil Masculino e Feminino 2007. Clóvis Ely Melo de Sousa (foto) é o favorito ao título no naipe masculino e a WMF Thalita Ariane Celino Cincinato é a favorita no naipe feminino. Cerca de 20 jogadores são esperados para a prova.

O valor da inscrição será de R$ 10,00. Além do valor da inscrição o jogador deverá pagar a taxa da Confederação Brasileira de Xadrez no valor de R$ 25,00 (para jogadores com até 18 anos) ou de R$ 50,00 (para jogadores com até 20 anos). O pagamento das taxas poderá ser feito até o dia do evento. O ritmo de jogo será de 90’ K.O. para cada jogador. Haverá a premiação de troféus para os três primeiros colocados no naipe masculino e feminino. A direção e arbitragem ficam por conta do AR Marcos Cavalcante de Oliveira e de Jonat Tavares de Souza. A Federação Amazonense de Xadrez conta com o apoio institucional da Confederação Brasileira de Xadrez, Secretaria de Estado da Juventude, Esporte e Lazer – SEJEL, Vila Olímpica de Manaus e da EduCAM Eventos e Projetos Educacionais. Mais informações: Marcos Oliveira (92) 9155-9211,
marcosmco@yahoo.com.br.

Observe que houve mudanças na programação do evento. Segue abaixo a nova programação:

07/04 - Sábado
15h00 - Confirmação das Inscrições
16h00 - Congresso Técnico
16h30 - 1ª Rodada
14/04 - Sábado
14h00 - 2ª Rodada
17h30 - 3ª Rodada
15/04 - Domingo
14h00 - 4ª Rodada
17h30 - 5ª Rodada
20h30 - Cerimônia de Encerramento

Clique aqui para baixar o folder.
 






Aberto do Brasil - Etapa Pará Governadora "Ana Júlia Carepa"
do Federação Amazonense de Xadrez por
 
Começa hoje, no Mezanino da Gastronomia da Estação das Docas da bela cidade de Belém, o Aberto do Brasil – Etapa Pará Governadora "ANA JÚLIA CAREPA". A Competição é válida para rating CBX e FIDE e uma vaga na Final do Campeonato Brasileiro Absoluto 2007. A Federação de Xadrez do Pará – FEXPA, através de sua diretoria, encabeçada pelo Sr. Lauzeniro Andrade, dará a premiação total de R$ 4.000,00 e conta com o apoio do Governo do Estado do Pará, Secretaria de Esporte e Lazer - SEL, Giroflex, Impacto e da Prefeitura de Belém. Na arbitragem, o amazonense AN Alan Nascimento Teixeira e o paraense AA Clauber Figueiredo Martins, Diretor Técnico da Liga Paraense de Xadrez. A Federação Amazonense de Xadrez deseja um grande sucesso aos nossos irmãos paraenses e que tenhamos um belo evento. Parabéns!

O número 1 do torneio será o MI Carlos Alejandro Martinez de São Paulo, seguido por MF Luismar Jorge de Brito da Paraíba. O Amazonas será representado pelos enxadristas Andrey Marcelo de Souza Neves, o Vice-Presidente da Federação Amazonense de Xadrez, Antenor de Carvalho Braga Neto (foto), o atual Campeão Amazonense Absoluto, Leonardo Gadelha da Paz, o atual Campeão Amazonense Juvenil, Renan do Carmo Reis, Sérgio Luiz Cardoso Farias e Thalita Ariane Celino Cincinato. Lamentamos a impossibilidade de termos mais representantes neste evento. Somos reféns da espera pela boa vontade de nossos governantes. Mais uma vez, gostaria de citar uma frase de Ella Wilcox: “Tornamo-nos covardes ao nos calar quando deveríamos protestar”.
Boa sorte a todos os participantes em especial a delegação do Estado do Amazonas! Vamos ficar aqui na torcida!

Mais informações no site da
Liga Paraense de Xadrez.
 






Festival da Crianças e da Juventude 2007
do Federação Amazonense de Xadrez por
 
A personalidade, o temperamento, a imaginação, a criatividade aflorando a cada partida, a capacidade dos enxadristas posta à prova a cada adversário e a cada lance, nos coloca diante de um cenário empolgante, tanto para quem está jogando, quanto para aqueles que compartilham, vendo de longe e torcendo a cada resultado. Foi assim que se desenrolou o Festival Amazonense da Criança e da Juventude 2007, reunindo cerca de 80 enxadristas. Esse foi o presente que a Federação Amazonense de Xadrez recebeu pelo seu aniversário de 39 anos, e claro, como não poderíamos deixar de citar, a presença em massa de pais, responsáveis, técnicos e professores que torciam a cada partida, dando apoio aos protagonistas dessa grande festa: os jovens talentos amazonenses. Tudo isso com a cobertura da imprensa local.

Na abertura do evento, tivemos a emocionante participação dos alunos da escola de música do Centro Educacional Adalberto Valle, que, sob a regência do maestro Medina, tocaram as músicas Carruagem de Fogo e Aquarela do Brasil. É bem verdade que tivemos alguns contratempos durante a realização do torneio, porém todos foram superados com o apoio e a dedicação incansável de professor Janderson Pacheco, diretor do evento. Devemos também destacar o apoio recebido da irmã Leopoldina, diretora da escola, que de forma incondicional, incentiva a prática de xadrez dentro da escola, bem como no estado do Amazonas. E como não poderíamos deixar de agradecer ao apoio da Prefeitura Municipal de Manaus que patrocinou a premiação do evento.

Muitas surpresas marcaram o evento. No primeiro dia fomos presenteados pelos irmãos Otávio (10 anos), Vice-Campeão Amazonense Sub-10 e Vítor Alvarenga de (8 anos), Campeão Amazonense Sub-8, ambos da Escola Estadual Plácido Serrano. Digo que fomos presenteados por contas das circunstâncias que os levaram a essa competição. Em especial pelo fato de que todos os jogadores que participaram deste evento, possuir a prática periódica de xadrez em suas respectivas escolas e a Escola Estadual Plácido Serrano, no bairro da Praça 14 de janeiro, diferentemente das demais, não teve a implantação do Projeto Xadrez nas Escolas da Secretaria de Educação do Estado. Os irmãos Alvarengas aprenderam Xadrez com o seu avô, Sr. Breno. Durante o evento do Millenium Center da qual a Federação Amazonense de Xadrez ficou responsável pelos jogos que ali foram montados no período de janeiro a fevereiro deste ano, tivemos o primeiro contato com o jovem Otávio, que nos chamou atenção pela forma como conduzia suas partidas. Entramos em contato com sua família a fim de convidarmos para o Festival da Criança e fomos prontamente atendidos. Faltava apenas o patrocínio dos mesmos, que em cima da hora, estava complicado concretizar a participação dos irmãos. Eis que surge Mário Augusto Vaz de Lima, proprietário do Lanche do Mário, no bairro do Parque Dez, ponto de encontro dos enxadristas de Manaus, que, além de patrocinar os irmãos, patrocinou, também, os alunos do Centro Educacional Kátia Mourão, antiga Escola Infantil Castelinho Encantado. Tal atitude do nosso irmão Mário nos emociona, pois estamos diante de tantas dificuldades para conseguir patrocínio para realização dos próximos eventos e a Federação Amazonense de Xadrez, que tem com meta a massificação do esporte, mas esbarra na falta de recursos e muitos talentos são perdidos por conta disso. O resultado do investimento do Mário foi que dos cinco enxadristas que ele patrocinou, dois conquistaram o título de Campeão, dois Vice-Campeões e um terceiro colocado.

O Centro Educacional Adalberto Valle teve uma participação em massa de seus atletas, fruto do trabalho realizado pelas escolinhas de xadrez das duas unidades educacionais da instituição. Gostaria de destacar a participação do Colégio Dom Bosco, que através do Coordenador de Esportes, professor Maurício Barbosa e do professor de xadrez da instituição, Dauton Amoêdo, levaram para a competição quase 20 jogadores. A participação do Colégio Dom Bosco, nas atividades promovidas pela Federação Amazonense de Xadrez é suma importância para o futuro do Xadrez Amazonense, visto que é uma das primeiras a ter escolinha de xadrez em Manaus. Parabéns!!

Na categoria sub-08 feminino, a enxadrista Juliana Saad superou a favorita, Mariana Akel, ambas do Centro Educacional Adalberto Valle. Na categoria sub-10 masculino tivemos 4 jogadores empatados na primeira colocação, com 4 pontos cada, mas Fernando Carvalho, também do Adalberto Valle, teve a melhor pontuação nos critérios de desempate. Na categoria sub-10 feminino, Alynne Rocha, do Colégio Dom Bosco, superou as demais atletas com 6 pontos em 6 possíveis. Pedro César Folster Filho, do Adalberto Valle, também teve o melhor desempate e venceu a categoria sub-12 masculino com 4 pontos. Na categoria sub-12 feminino, Lonnyane Marialves, do C. E. Kátia Mourão, surpreende e vence de forma invicta a categoria. Na categoria sub-14 masculino, Omar da Silva Oliveira Júnior, do Centro Educacional La Salle, confirmou o favoritismo e venceu brilhantemente a competição. Não menos favorita, a enxadrista Cristiane Souza, do Adalberto Valle, venceu com folga as demais, e com 4 pontos, 1,5 na frente da segunda colocada, faturou mais um título. Hugo Bernardino, do Colégio Militar de Manaus, venceu a categoria sub-16 masculino e Nilda Frota, do Centro Educacional La Salle, o feminino. Na categoria sub-18, Clóvis Ely Melo de Sousa (foto) venceu Hildebran Bergman do Centro Educacional La Salle é tornou-se bi-campeão da categoria. Clóvis Sousa é o favorito ao título de Campeão Juvenil 2007.

Em breve disponibilizaremos as fotos do evento. Segue abaixo a Galeria dos Campeões. Parabéns a todos!!!


Categoria Sub-08 Absoluto:

1º Victor Eduardo Lima Alvarenga (E. E. Plácido Serrano) 4.0
2º Vinícius de Almeida Rodrigues (C. E. Adalberto Valle) 3.5
3º José Emanuel Evangelista Cardoso (Colégio Dom Bosco) 3.5

Categoria Sub-08 Feminino:

1º Juliana Coelho Saad (C. E. Adalberto Valle) 3
2º Mariana Akel Abrahão (C. E. Adalberto Valle) 2.5
3º Ilana Paula Lima (C. E. Adalberto Valle) 2.5

Categoria Sub-10 Absoluto: Rodadas:

1º Fernando Araújo Querino d Carvalho (C. E. Adalberto Valle) 4
2º Otávio Moroni Lima Alvarenga (E. E. Plácido Serrano) 4
3º Hugo Takeshi Hatakeyama (C. E. Adalberto Valle) 4

Categoria Sub-10 Feminino:

1º Alynne Ribeiro da Rocha (Colégio Dom Bosco) 6
2º Gabriela Baptista da Silva (C. E. Adalberto Valle) 5
3º Larissa Pessoa de Oliveira (Instituto Batista Ida Nelson) 3.5

Categoria Sub-12 Absoluto:

1º Pedro Cesar Folster Filho (C. E. Adalberto Valle) 4
2º Rafael Moreira Furtado de Queiroz (C. E. Adalberto Valle) 4
3º William Tadeu Lima da Cruz (E.E. Kátia Mourão) 4

Categoria Sub-12 Feminino:

1º Lonnyane Ramos Marialves (C. E. Kátia Mourão) 5
2º Beatriz dos Santos Oliveira (C. E. Adalberto Valle) 4
3º Isís Ariel Florêncio Sousa (C. E. Kátia Mourão) 3

Categoria Sub-14 Absoluto:

1º Omar da Silva Oliveira Júnior (C. E. La Salle) 4.5
2º Vitor da Costa Viegas (C. E. Adalberto Valle) 3.5
3º Emerson Santos De Lima (E. E. Barão do Rio Branco) 3.5

Categoria Sub-14 Feminino:

1º Cristiane Corrêa Souza (C. E. Adalberto Valle) 4
2º Renata Barbosa Ribeiro de Oliveira (C. E. Adalberto Valle) 2.5
3º Maria Carrel Barroso Benevides (C. E. Adalberto Valle) 2

Categoria Sub-16 Absoluto:

1º Hugo Barros Bernardino (Colégio Militar de Manaus) 4.5
2º Darkenwald Pereira Rebouças (Colégio Militar de Manaus) 3.5
3º Natan dos Anjos Hermes da Fonseca (C. E. La Salle) 3.5

Categoria Sub-16 Feminino:

1º Nilda Maria Figueiredo da Frota (C. E. La Salle) 3
2º Sara Herculano de Souza Silva (CEFET – AM) 1.5
3º Sandra de Jesus Ferreira da Silva (E. Agrotécnica Federal) 1

Categoria Sub-18 Absoluto

1º Clóvis Ely Melo de Sousa (Universidade Federal do Amazonas) 2
2º Hildebran Bergman da Silva (C. E. La Salle) 0
 






Memórias de uma não-campeã.
do Xadrez de Quinta por
 
Somente pensar que poderia ter sido diferente não basta, muito menos resolve os problemas. Acaba virando piada como aquela seção da revista Superinteressante que divaga sobre os "se"s: se o Brasil falasse inglês... se o homem não tivesse chegado na lua... se dois mais dois não fossem quatro... Ou seja, não chegamos a lugar nenhum porque partimos do nada.

Uma alternativa seria a auto punição. Estar munida de chicotes e maus pensamentos e começar o ritual de purificação, aos berros de “Minha culpa! Minha culpa”. Que a culpa é minha todos também sabe, mas as condições de temperatura e pressão, a posição dos astros, a noite mal dormida, a sorte... Hummm... Onde estaria a sorte quando eu precisava dela? Talvez atendendo o outro lado, é possível. Da próxima vez serei mais ligeira.

Outro caminho possível: reflexão. Sim, refletir pode ser um caminho para entender o que se passou. Racionalizar. (Forjar argumentos) Sistematizar variantes de acerto e erro. Compreender em termos de boas e más escolhas. A modernidade permitiu isso ao homem, tirar os olhos de Deus da história e ver tudo horizontalmente. Olha-se os lados, nunca o céu. No máximo olha-se para dentro. Não há respostas aos enxadristas que as buscam no céu.


As memórias que tenho são lições. Não só enxadrísticas, pois agora sei que rocar grande jogando com as negras talvez não seja a melhor das escolhas, assim como me alertaram sobre um e5? que faço questão de interrogá-lo duas vezes, literalmente e por escrito.

As lições de humildade. Aquela que sustentou os samurais, grandes guerreiros. Paciência. Amor. Desprendimento. Competir é um ato de coragem, pode causar danos imprevisíveis. Disse uma amiga: “Sabe, quando perco uma partida é como se tivesse perdido uma pessoa.”

Campeão é apenas o primeiro, o um. Depois vem todo o universo. Será esse um texto coletivo?


 






À la brasileira!
do Xadrez de Quinta por
 
Assim que aprendemos a jogar xadrez, digo, a movimentar as peças, nossa primeira grande motivação é movimentar a Dama e a Torre. Minha hipótese sobre esse fato – porque isso é um fato, quero ver alguém dizer o contrário! Lembrem-se de sua infância no xadrez... -, é de que, no caso da Torre, ela é a peça mais desprivilegiada e, porque não, injustiçada na configuração inicial de uma partida de xadrez. Nos cantos ela não faz absolutamente nada, a não ser com a brilhante seqüência a4, Ta3!!! Como os dois primeiros lances de uma partida, que todo mundo já jogou algum dia... Já com a Dama a lógica é outra. Ela é a peça mais poderosa, é assim que aprendemos e ensinamos, e portanto a ansiedade de explorar seu potencial faz coçar as mãos! Aí vem aqueles lances... A Dama saindo loucamente sem destino, rumo ao nada.

Porém, não podemos ser tão cruéis assim com a teoria enxadrística. Nos recusamos a aceitar determinados lances por puro preconceito e porque não, um tanto de senso comum. Nossas jogadas acabam sendo pensadas pelas cabeças dos outros, não havendo um componente criativo real, somente uma reprodução de lances que aliviam nossa consciência porque se enquadram dentro de um sistema reconhecido... O problema não se encontra nas aberturas, mas no modo como pensamos para adotar tal ou qual variante. A idéia da abertura é continuar o jogo, meus caros! Ou seja, deve haver um objetivo, uma lógica para que o bonde siga andando...

E é por isso que hoje apresento a vocês a Defesa Brasileira. Sim camaradas, no melhor estilo Policarpo Quaresma de Lima Barreto, que foi chamado de louco por propor a língua tupi como idioma em nosso país, um brazuca abalou as estruturas propondo o audacioso 2. ... De7! Vejam o diagrama:

Posição após 1.e4 e5, 2. Cf3 De7!

Esse sistema foi introduzido na comunidade enxadrística pelo MI Hélder Câmara, renomado cronista sobre nossa modalidade, em 1954. A proposta é simples: sabem a tradicional Índia do Rei? Bem, a idéia é jogar Índia do Rei contra e4! Mais brilhante impossível!
Uma abertura clássica e vencedora como a Índia do Rei em versão brasileira! E pós- moderna, já que dá as costas para uma lição do célebre Xadrez Básico que ensina para onde a Dama não deve ir nos primeiros lances... Inspiração pura.
Segundo o site do próprio criador (http://www.hcamara.com.br/teoria.htm), que denomina a variante de Defesa Câmara (nada mais justo), há um interessante relato de seu surgimento, sua idéia estratégica, toda a contextualização da criação.

Como não entendo muito de xadrez - apenas especulo-, quero valorizar aqui o momento criativo. Notem o detalhe: toda pessoa em seus primeiros passos no xadrez, especialmente se criança, tenta por intuição essa idéia de De7! (Insistirei em exclamar até o fim do texto!). E por que a idéia não vingava? Porque é preciso ter muita coragem para contrariar a tábua dos 10 mandamentos do xadrez – primeiro mandamento, não moverás a Dama nos lances inicias... Só mesmo um brasileiríssimo para estufar o peito e proclamar na careta e pacata sociedade enxadrística a Defesa Brasileira! Uma releitura da Índia do Rei, modernismo artístico em plano território tupiniquim!

Para quem se interessar, sugiro o site do autor Hélder Câmara, e o interessante “Home Page da Defesa Brasileira” (bilíngüe): http://www.geocities.com/Colosseum/Bench/4044/ , incluindo uma base de partidas.
 






Salva de palmas!
do Xadrez de Quinta por
 
Primeira mulher disposta ao embate: Jaqueline Pamplona Corrêa, de Jaraguá do Sul/SC.

Espero te ver nos Regionais e Abertos!!!
 






Cadê vocês, meninas?
do Xadrez de Quinta por
 

Contextualizando: no estado de São Paulo, cerca de meio século atrás, era inaugurado os Jogos Regionais, uma competição hoje tradicional em nível nacional. Seu antecedente é o Jogos Abertos do Interior, que já comemorou seus setenta aninhos. A idéia é interessantíssima. Atletas de várias cidades de São Paulo se reúnem em competições que se prolongam por em média quinze dias, cabendo a cidade que agrega os melhores de cada modalidade o título de campeã.

Com o xadrez, que é modalidade reconhecida como esporte – sim, recebemos um crachá de identificação escrito “atleta” no início das competições! –, vários modelos de disputa já foram experimentados. Em míseros oito anos de participação em Jogos Regionais e cinco de Jogos Abertos (explico o desfalque: nos Jogos Abertos só se encontram os campeões...) já competi em três formatos distintos. Equipe com três tabuleiros, com quatro tabuleiros (que é a composição atual), em categorias (hoje é dividido em sub-21 e absoluto, além da categoria especial que não é para o meu bico, e que reúne nos Jogos Abertos os campeões dos campeões, numa espécie de torneio fechado. Os GM estão todos lá.).

Existe a clássica divisão feminino e masculino. Porém, as mulheres podem jogar no masculino, o que não é comum, ao contrário dos meninões, que só podem ficar entre eles. E está formado o cenário: equipes de uniforme, plaquinha com o nome da cidade que representa, tudo nos conformes. O ritmo é o mais apropriado para que haja uma partida decente: uma por dia, 1h para 23 lances+ 1h nocaute. Coisa linda.

Graças a esse tipo de competição, muitos enxadristas sobrevivem. Isso porque as cidades investem nos atletas (não se esqueçam que enxadrista é atleta!), fechando contratos interessantes para os jogadores, um meio de sobrevivência para muitos. Não se recebe em dólares, mas de qualquer modo é uma ajuda e tanto para enxadristas que não têm patrocínios.

Pensando nesse esquemão todo, um Mestre teve uma brilhante idéia. Krikor Mekhitarian (êta nome complicado de escrever e pronunciar!) criou um blog (http://procuradejogadores.zip.net/), na tentativa de ajudar os enxadristas a se comunicarem e facilitar o processo de formação de equipes para os Jogos Regionais e Abertos. Afinal de contas, não é regra que os integrantes sejam da mesma cidade que representam, pelo contrário. Dificilmente isso acontece. Muitas questões éticas podem ser levantadas sobre esse respeito, mas sinceramente não acredito que o apoio ao xadrez deva ser interrompido por um critério tão pequeno, tão irrelevante principalmente para o enxadrista que viaja o Brasil inteiro em busca de aperfeiçoamento. O localismo definitivamente não é um requisito do xadrez.

Achei genial a idéia, ainda mais se considerarmos que a internet está para o enxadrista, assim como o enxadrista está para a internet. Fiquei muito satisfeita em ver enxadristas de todo o Brasil, de estados até distantes de São Paulo, interessados em participar dessa verdadeira festa do xadrez paulista. Mas... cadê as meninas? Alguém viu alguma menina da lista dos interessados?

Sim, existe uma categoria feminina, inclusive bastante disputada, jogadoras fortíssimas, entre elas algumas estrangeiras, participam do evento. Embora o número de equipes femininas venha crescendo anualmente, o número não chega perto do número de jogadoras no Brasil. Fiz um levantamento inicial, somente considerando mulheres que jogam xadrez, e cheguei a um número bem maior do que mil. Não vou divulgar detalhes da pesquisa porque ainda não está concluída. Mas me diga: por que essa mulherada toda não está nos Regionais e nos Abertos?

Para quem não sabe, é a maior dificuldade encontrar meninas dispostas a disputar esses campeonatos. Posso falar isso porque já vivi essa situação, de procurar meninas e nada! Não quero entrar em detalhes sobre a dificuldade de viajar, problemas com os pais, essas coisinhas todas que todos sabem que existem, seja para o xadrez seja para qualquer outra coisa. É totalmente cultural. Mas o que me intrigou e de certa forma me entristeceu é não ver o interesse das garotas, justamente quando surge uma possibilidade como essa, um espaço virtual de encontro para a formação de equipes. Por que as garotas não querem jogar uma das competições mais tradicionais do país? Cadê as enxadristas do Brasil?

Será que todas as enxadristas já possuem uma equipe? Improvável.

No calendário da Confederação Brasileira de Xadrez (CBX), está programado o Brasileiro Feminino para a data do carnaval. Estamos a menos de um mês da data prevista e nenhuma notícia sobre uma possível realização. Cadê o xadrez feminino?

Não objetivo polêmicas nesse texto. Espero somente que as garotas, oh enxadristas do Brasil, se levantem e participem dos espaços enxadrísticos, porque estamos desaparecendo e ninguém está se importando.
 






Exposição de fotos
do Xadrez de Quinta por
 


Fonte: http://www.kenlight.com/publications/texasdeathrow/chess.html

(No corredor da morte)

 











Exposição de fotos
do Xadrez de Quinta por
 
 





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